ESTRATÉGIA EM UMA PALAVRA: ESCOLHA

10 de fevereiro de 2020

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Fazer escolhas. Essa é uma expressão que todo mundo vive dizendo, seja na vida, seja em contexto de business. É uma necessidade, uma “imposição”. E estratégia tem completamente a ver com isso. Veja, não é que tem marginalmente a ver com isso, parcialmente a ver com isso. É completamente mesmo.

E só é possível entender isso para além do chavão partindo de uma perspectiva econômica, já que estamos falando de negócio. E a perspectiva que pegamos aqui é a da escassez, do seminal economista inglês Lionel Robins.

 

“Economia é a ciência das ações humanas diante de recursos limitados com usos alternativos.”

 

Trocando em miúdos rapidamente, ele basicamente nos coloca em um contexto em que todos os agentes sociais, governamentais ou empresariais tem infinitas necessidades. Há um desejo de se fazer tudo e é importante que se faça tudo.

Uma empresa quer investir muito em inovação de produto e portfólio, ao mesmo tempo em que pratica um preço baixo, faz comunicação muito massiva, fortemente em todos os principais veículos, sem deixar de ter uma distribuição pesada, multicanal, em todo território nacional. Infinitas necessidades.

Do outro lado, esse desejo se confronta naturalmente com uma realidade que se impõe: os recursos são finitos. A empresa do exemplo anterior terá apenas um saco de dinheiro para fazer todas essas coisas. E, obviamente, recurso não é só dinheiro e sim tudo aquilo que precisamos para realizar aquilo que queremos: tempo, gente, tecnologia, capacidade etc. E esses recursos são do tamanho que são em uma empresa, independentemente das necessidades que haja. Recursos limitados.

E é nesse confronto que emerge a necessidade premente de fazer uma escolha: qual das infinitas necessidades eu devo atender com o meu recurso, para atingir o meu objetivo? Conversando com o texto anterior dessa série, poderíamos refrasear a pergunta: que escolha eu devo fazer entre os meus recursos para vencer o jogo em que eu estou? Estratégia no fundo é esse dilema, é essa aposta.

Só que talvez a grande maioria dos trabalhos de estratégia não assumem essa condição. Entra-se em uma lógica de acomodar os recursos disponíveis, cobrindo todas as bases possíveis das infinitas necessidades, colocando um ovinho em cada cesta e garantindo que tudo está sendo atendido.

E esse é o maior erro que um estrategista pode cometer.

Simplesmente porque poucos recursos alocados em muitas coisas não resolverão nenhum problema direito. Mencionando o texto passado novamente e evocando a citação do professor Roger Martin: muitos executivos estão mais preocupados em participar do jogo do que vencê-lo. Para vencer, é preciso fazer uma aposta sobre qual das necessidades é mais importante, qual é aquela que vai virar o tabuleiro a nosso favor.

Tenho para mim que as imagens mentais que usamos no nosso dia a dia revelam muito da nossa maneira de ver o mundo. E estratégia é majoritariamente algo que se constrói em “pilares”. Essa é a imagem que se usa largamente: pilares que sustentam toda uma estrutura. Que é a mesma coisa de uma série de necessidades sendo atendidas pelos mesmos recursos.

Eu acredito que tenhamos que substituir a imagem de pilares pela imagem de uma bifurcação. O melhor caminho a seguir é direita ou esquerda? Você vai tomar a pílula azul ou vermelha? Precisamos construir nossa linha de raciocínio em estratégia de forma que se chegue nessa encruzilhada, nesse ponto de tomada de decisão. Isso nos dará um nível extremamente mais consciente da aposta que estamos fazendo sobre como vamos ganhar o jogo.

E trabalhar com estratégia é se cercar de informações para reduzir o risco dessa aposta. Por isso que se busca tanto embasamento e boas estratégias tem uma fase de investigação e definição de problema tão robusta.

Porque no fim, uma aposta precisa ser feita. Se não não se está fazendo estratégia. Pode até se estar desenhando um plano, uma linha de raciocínio. Estratégia não é. Porque estratégia é fazer escolhas.

Fonte: Strategy-Box
https://strategy-box.com/blog/2020/1/17/srie-de-artigos-estratgia-em-uma-palavra-escolha

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