Uma empresa sem planejamento tende ao marasmo, à falência. No Brasil, 27% das empresas fecham no primeiro ano de funcionamento, média de um fracasso entre quatro novos negócios. E o índice já foi pior: ele chegava à 35% nove anos atrás, de acordo com o Sebrae.
A grande maioria fecha por falta de planejamento e alta carga tributária, mas o pagamento de impostos deve ser planejado.Ao planejar a abertura, ou manutenção de uma empresa, a maioria ignora a identidade visual de sua empresa, e isso é uma falha bastante séria.
O que afinal faz a publicidade?

Antigamente, as pessoas trocavam produtos por produtos, era o chamado escambo. Eu tenho galinhas sobrando, você tem trigo sobrando, então nós trocamos estes produtos, simples assim! Com o tempo, surgiu o dinheiro, que é um símbolo de valor, de forma que posso trocar minhas galinhas por dinheiro e o dinheiro pelo trigo. Com o capitalismo, o comércio tornou-se extremamente necessário para o funcionamento do sistema, e é aí que entra a publicidade, tentando diferenciar o seu produto dos demais.
O que aconteceu foi que todos começaram a apelar para o racional, para o custo-benefício, criando propagandas que destacavam vantagens em seus produtos. Por exemplo, vamos pegar o caso da Coca-Cola. Por se tratar de uma bebida cor caramelo escuro (quase um preto), era fadada à rejeição pela sociedade (por ser associada à água suja), por isso, as primeiras campanhas da empresa eram voltadas a mostrar que a Coca-Cola era uma bebida saudável e limpa. Pouco depois, o apelo foi pelo sabor: “beba coca-cola porque é gostoso e refrescante”.

Seguindo a mesma linha, isso virou um padrão de propaganda por muitos anos, de forma que o produto era vendido com base em suas qualidades. Ocorre que com o tempo, os publicitários se deram conta de que existe algo muito mais poderoso para ser explorado, o inconsciente do ser humano, o “id”, o irracional, o lado selvagem de cada um, o lado bixo. Nosso cérebro possui níveis de abstração (o que a psicanálise chama de “id”, “ego” e super-ego”), de forma que dentro de cada um de nós, existe um pedaço animalesco, é o desejo, desejo por tudo: fome, sede, sexo, descanso, etc. Mas esta camada é muito bem controlada por outra que é o nosso consciente, um freio de mão que mantém a fera sob controle. É isso que nos diferencia dos outros animais, e quando um ser humano não consegue manter esse controle, ele é tido como doente, e levado para tratamento psicológico.
Por que eu disse tudo isso? Porque a publicidade hoje ataca justamente esta área super protegida do cérebro, o inconsciente. Ela tenta quebrar a barreira do consciente e nos deixar um pouco mais “irracionais”, criando assim uma necessidade de consumir. Note que hoje, a Coca-Cola não se apoia mais nas idéias de que é gostosa, mas sim em frases como “o sabor que transforma”, ou “a alegria do natal”. Ela não vende apenas uma bebida que mata sua sede, mas também alegria, felicidade, contatos sociais, amizades, etc. É como pegar um produto e vendê-lo como um sonho. Não estão te vendendo cerveja, estão te vendendo sexo, curtição. Não estão te vendendo um carro, estão te vendendo poder e superioridade. E assim por diante, os exemplos são muitos… É difícil admitir, mas somos bonequinhos controlados.
E onde a marca entra nessa história?
Antigamente, a marca era apenas um diferencial, algo que permitisse ao seu cliente distinguir a sua empresa da de seu concorrente. As marcas muitas vezes eram usadas apenas como um nome. Mas isso mudou drasticamente de tempos para cá, a marca hoje é um grande aglomerado de idéias, sentimentos, e ela é responsável por gerar estímulos no consumidor. Uma marca bem resolvida é o primeiro passo para o sucesso de uma empresa.

Peguemos mais um exemplo, o da Nike. Afinal o que é a Nike? A Nike não fabrica nenhum produto que comercializa, não existe nenhuma grande fábrica da Nike de onde saem todos seus produtos. A Nike é hoje uma marca apenas, uma assinatura de luxo para seu produto. Se pegarmos todos os bens da Nike e vendê-los, eles somariam uma pequena fração do valor da marca em sí.
Mais um exemplo de sucesso é a Ferrari. A Ferrari produz carros certo? Não, a Ferrari produz sonhos, é um fetiche. Talvez você possa achar que isso tudo é inútil, e que a Ferrari não iria ganhar 1 tostão com você, afinal carros de 1 milhão e meio de reais estão um pouco fora do seu orçamento. Pode até ser que você nunca vá comprar uma Ferrari, mas você pode comprar uma miniatura, um adesivo, uma camiseta, um relógio, um perfume, ou até mesmo receber um brinde ao comprar seu jornal. Se você criar um produto e tiver dinheiro suficiente, pode pedir para a Ferrari assiná-lo para você, é assim que funciona. Você paga muito por uma simples assinatura, acredite.
Identidade é identidade, e não deve ser mudada assim como se troca de roupa, daí a necessidade de se criar um padrão para tudo. Criar uma marca bem trabalhada, um estudo de cores, tipografias padronizadas, enfim, fazer todo o material de sua empresa seguir um mesmo padrão reforçando ainda mais a sua identidade é o primeiro passo para nossa empresa alavancar.
